domingo, 13 de dezembro de 2009

Quarenta e 4 - Matosinhos

Este numero já andava a ecoar na minha cabeça há uns tempos, mas a visita ia-se adiando sucessivamente, até que desta vez e embora indeciso entre esta e outra alternativa muito conhecida na Cidade do Porto foi tomada a decisão de por a matemática em pratica e descobrir qual seria o resultado da equação Quarenta e 4.
Começo pelo espaço em si, um antigo armazém devidamente recondicionado e transformado num local de comer e estar, que defino como elegante, acolhedor e com um toque muito fashion.
Instalado num magnifico e confortável cadeirão, e dispensada que foi uma bebida antes de passar à mesa de jantar, deu-se então inicio à refeição ao serem servidas umas entradas de tomate, azeite com balsâmico e manteiga, às quais e já depois de conhecida a lista, foram acrescentados uns ovos com espargos, gambas e míscaros que foram partilhados pelos presentes e que unanimemente confirmaram a sua excelente qualidade.
No que toca aos pratos principais, e dada a extensa quantidade de propostas que motivou alguma indecisão, foi decidido pedir dois pratos distintos de peixe e um de carne, tendo no campo dos peixes a escolha recaído num rodovalho grelhado com arroz de gambas e algas assim como uns crepes de camarão com arroz de algas, já pela parte da carne a escolha foi para um veado com molho de cerejas e redução de vinho do porto, comum a todos eles era o acompanhamento de vegetais salteados e mais uma vez tal como tinha acontecido nas entradas, foi por unanimidade considerado que todos estavam superiormente executados, apresentados e de excelente qualidade, a roçar a perfeição.
De destacar ainda a vasta carta de vinhos, da qual foi escolhido para acompanhar a refeição um Douro Quinta de La Rosa 2007, servido à temperatura ideal e em copos de primeira, tendo o empregado de mesa tido o cuidado de deixar a rolha num recipiente proprio em cima da mesa para que pudesse ser analisada, um pormenor, mas que traduz por si só um nivel de restauração que ainda não está ao alcance de todos.
O regresso à lista, levou-nos até à secção das sobremesas, tendo merecido escolha um cheesecake de framboesa com sorvete de morango, uma mousse de chocolate branco com molho de vodka preta e lima e um biscoito mascavado com nougat de banana, também fantásticos e que remataram a refeição em grande nível e estilo.
Para finalizar café e uma gentileza da casa na forma de bombons de chocolate com frutos secos, deliciosos.
A qualidade do serviço e a simpatia no atendimento são também pontos positivos.
O preço médio por pessoa rondou os 35 € que se ajusta perfeitamente à qualidade geral apresentada.
Como aspecto negativo, tenho que referir o facto de apenas existirem casas de banho no primeiro andar, que não se justifica de todo especialmente quando cada vez mais se pretende que os edifícios sejam de fácil acesso inclusivamente para as pessoas com mobilidade reduzida, com bebés, etc. A rever.
Este é sem sombra de duvida um espaço a visitar e conhecer no Grande Porto, leva pela minha parte um "Altamente Recomendado", e espero poder repetir a equação com outras variáveis mas obter o mesmo resultado final.




terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Casa da Cancela - Paradela (Mogadouro)

Um novo projecto para turismo e gastronomia no espaço rural, louvável num concelho onde infelizmente estas infraestruturas ainda são escassas, pese embora nesta fase inicial não vá ter vertente comercial aberta ao publico em geral, será apenas para consumo de familiares, amigos e conhecidos. Os promotores (Luz e Neto) quiseram fazer um primeiro teste para ver como as coisas corriam e por a logística a funcionar e a verdade é que o resultado foi muito prometedor, já que desde as entradas de onde destaco uns milhos guisados com repolgas e carne esplêndidos, passando pelas açordas uma de bacalhau e outra de espargos e pela tarte de míscaros que nos deram os primeiros aconchegos à barriga, até ao prato principal, uns lombinhos de porco acompanhados de puré de legumes e um misto de cogumelos selvagens com batata, batata doce e cebola, tudo muitíssimo bem confeccionado, comprovaram a qualidade geral de uma gastronomia de raiz tradicional transmontana que assenta como uma luva a um projecto desta natureza.
Estou certo de que o tempo se encarregará de mostrar que esta é a formula acertada de promover uma região, os seus produtos e a sua cultura.
Em Janeiro haverá mais novidades! Até lá...


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Flor de Sal - Mirandela

Começo por este restaurante em particular, não por nenhum motivo em especial, mas por ter sido aquele que em Trás os Montes há mais tempo queria visitar, sendo que as expectativas à partida eram altas, pelos feedbacks que conhecia de outras pessoas e pelo próprio nome que o restaurante já criou.
O espaço é sem duvida agradável, moderno, uma pedrada no charco para a realidade Transmontana.
No que toca à comida é que as coisas não correram como esperado porque a entrada de grelos e alheira para alem do aspecto visual, era de qualidade mediana, já os pratos principais, um polvo a lagareiro também de qualidade media unicamente bem apresentado e umas bochechas de vitela mirandesa com uvas e figos acompanhadas somente de torradinhas de pão num prato cheio e francamente mal apresentado, deixaram uma primeira impressão não muito positiva. As sobremesas foram o ponto alto da refeição com um mil folhas de frutos vermelhos e umas castanhas caramelizadas com gelado de vinho do porto verdadeiramente excepcionais e dignas de registo. As bebidas um copo de vinho tinto douro, água e café. O preço total para duas pessoas foi de 70 € o que considero uma exorbitância. Destaco ainda a simpatia e a qualidade do atendimento. No global considero uma desilusão dadas as expectativas. Demasiado parecer e pouco ser. Voltar? Talvez... Uma segunda oportunidade nunca deve ser negada!

Tiro de Partida

Este espaço foi criado com o objectivo de relatar experiências gastronómicas do seu autor, bem como servir de guia, orientação ou ponto de referência para os leitores.